domingo, 8 de novembro de 2009

Análise crítica ao Modelo de Avaliação da BE

De acordo com o Texto da Sessão, julgo importante iniciar a minha reflexão com a ideia nele veiculada de que é a auto-avaliação da biblioteca que ajudará a identificar o caminho que a BE deve seguir com vista à melhoria do seu desempenho. Actualmente, o desempenho da BE não se limita a satisfazer os utilizadores em termos de satisfação com as instalações, os equipamentos, as colecções, o serviço de atendimento, as pesquisas bibliográficas entre outros. Actualmente, é objectivo da BE, as competências que os utilizadores desenvolvem (o aluno apresenta-se como actor activo, construtor do próprio conhecimento), a procura e a descoberta do saber (Inquiry Based Learning), mas também o desenvolvimento de novas literacias com a introdução das TIC, as atitudes, os valores, os níveis de sucesso e a inclusão entre outros.

Perguntamo-nos sobre a pertinência da existência de um Modelo de Avaliação e uma vez que se avalia o resultado, o valor da BE na escola/ nos alunos é de todo pertinente existir uma auto-avaliação. Essa avaliação permite-nos validar o que fazemos, como fazemos, onde estamos e até onde queremos ir, mas também a nossa intervenção e as mais-valias que acrescentamos.

Passando em seguida à refexão sobre a organização estrutural e funcional do Modelo convém referir como é a sua constituição. Deste modo, o referido Modelo é constituído por quatro Domínios, divididos em Subdomínios:

A. Apoio ao Desenvolvimento Curricular

A.1. Articulação curricular da BE com as estruturas pedagógicas e os docentes

A.2. Desenvolvimento da literacia da informação

B. Leitura e Literacia

C. Projectos, Parcerias e Actividades Livres e de Abertura à Comunidade

C.1. Apoio a actividades livres, extra-curriculares e de enriquecimento curricular

C.2. Projectos e parcerias

D. Gestão da Biblioteca Escolar

D.1. Articulação da BE com a Escola/Agrupamento. Acesso e serviços prestados pela BE

D.2. Condições humanas e materiais para a prestação dos serviços

D.3. Gestão da colecção

Uma vez que este Modelo é vasto e complexo em termos de aplicação, deve-se escolher anualmente um dos quatros domínios a pôr em prática. Na BE da escola onde lecciono e de cuja equipa faço parte, já se avaliaram os domínios A e B. Este ano, o enfoque será no domínio C e consequentes subdomínios. Cada etapa compreende um ciclo: identificação de um problema ou de um desafio; recolha de evidências ( que validam o que funciona e identificam possíveis gaps ou constrangimentos); interpretação da informação recolhida; realização das mudanças necessárias; recolha de novas evidências acerca do impacto dessas mudanças.

A implementação deste Modelo de Avaliação pressupõe uma liderança forte do professor bibliotecário que deverá conduzir a uma metodologia de sensibilização que envolva toda a escola.

E, ao mesmo tempo, o mesmo deverá prestar contas do impacto dos seus serviços perante a escola e todos os que estão ligados ao seu funcionamento.

No artigo “This man wants to change your job” de Michael B. Einseberg e Danielle H. Miller reforça-se o papel do professor bibliotecário como o facilitador da aprendizagem. O sucesso do seu trabalho dependerá de três factores: da articulação entre a sua visão e planificação; da sua estratégia e do seu poder de comunicação. No que se refere à articulação, sendo o professor bibliotecário um professor ser-lhe-á mais fácil articular com os outros professores de forma a integrar os recursos da BE no currículo: “As a partner, the school librarian joins with teachers and others to identify links across student information needs, curricular content, learning outcomes, and a wide variety of print, nonprint and electronic information resources”. Assim, as actividades da BE surgirão de acordo com as necessidades de aprendizagem dos alunos como por exemplo, palestras sobre temas/problemas que façam parte do seu currículo.

O que Einsenberg e Mill referem como um professor bibliotecário estratégico, depende muito da atitude do mesmo: “Attributes of a positive attitude include passion, enthusiasm, optimism and energy. Successful school librarians are often characterised by their positive can-do attitudes”. Surge-nos então a importância da comunicação que para ser eficiente deve ser regular e para toda a comunidade escolar através de um sítio ou blogue da BE: “ You can also supplement your regular communications by setting up a web site with quarterly updates and highligts on your students’ accomplishments. Consider putting together an online discussion group for administrators and parents.” Esta última sugestão vai ser posta em prática através da plataforma Moodle do sítio do Agrupamento e será essencialmente a partilha de experiências de leituras ou não-leituras com os seus educandos entre outros temas de dicussão.

Por sua vez, no artigo de Ross, J. Todd “School librarian as teachers: learning outcomes and evidence-based practice” são referidos para o bom funcionamento da BE três factores primordiais: primeiro, haver acesso à informação; segundo, haver uma pré-selecção de informação de acordo com o currículo do aluno e terceiro, ao haver parceria/cooperação entre professor e professor bibliotecário, o aluno atinge um nível mais elevado de literacia, de leitura, de aprendizagem, de resolução de problemas e de competências TIC.

Todd Ross apresenta-nos um discurso mais complexo, factor que nos dificulta a compreensão do texto, mas se bem entendi, diz-nos que o professor bibliotecário enfrenta vários desafios durante o seu percurso: preparar o aluno para pôr em prática a sua pesquisa; ajudá-lo a saber pesquisar com objectividade, uma pesquisa focada nos aspectos cognitivos; passar da literacia da informação à construção do conhecimento “Constructing meaning is learning” segundo o citado Wilson e por fim fazer a recolha das evidências que poderão ser através de grelhas de observação de competências; de questionários; de grelhas de análise de trabalhos dos alunos entre outras.

Se Einsenberg e Miller indicam três factores indispensáveis ao trabalho do professor bibliotecário: liderança com visão; liderança com estratégia e liderança em colaboração, Ross acrescenta quatro novos factores: liderança informada; liderança criativa; liderança flexível e liderança sustentada (com base em evidências).

Concluindo, julgo pertinente nomear as competências do professor bibliotecário de forma a que o papel do professor bibliotecário fique mais clarificado.

Competências do professor bibliotecário e estratégias implicadas na sua aplicação

  1. Promover a integração da biblioteca na escola.

    1. Contribuir para a elaboração do P.E., do P.A.A., do Regulamento Interno e do Plano de Formação da escola.

  1. Assegurar a gestão da biblioteca e dos recursos humanos e materiais a ela afectos.

    1. Promover actividades da BE na escola.
    2. Desenvolver actividades de cooperação com outros parceiros – SABE / BIBCOM …
    3. Planear os recursos financeiros.
    4. Gerir os recursos materiais (espaço, mobiliário, equipamentos específicos).
    5. Avaliar os serviços da BE através de instrumentos de avaliação do serviço (análises estatísticas) e de relatórios anuais de actividades

  1. Definir e operacionalizar, em articulação com a Direcção Executiva, as estratégias e actividades de política documental da escola.

    1. Seleccionar, organizar e difundir o fundo documental e os recursos digitais (catálogos, boletins bibliogáficos, sítio da BE, blogue, wikkis…)

  1. Coordenar uma equipa previamente definida com a Direcção Executiva.

a. Gerir a atribuição de funções aos elementos da equipa (docentes e não docentes).

  1. Favorecer o desenvolvimento das literacias, designadamente da leitura e da informação e apoiar o desenvolvimento curricular.

    1. Colaborar com os departamentos curriculares e com os professores em geral, de forma a integrar os recursos da BE no currículo.
    2. Programar e executar, com alunos e professores, actividades e projectos para o desenvolvimento de competências e hábitos de leitura.
    3. Programar e executar actividades e projectos para o desenvolvimento de competências de informação (guiões de orientação e outros instrumentos de apoio).

  1. Promover o uso da biblioteca e dos seus recursos dentro e fora da escola.

    1. Promover a valorização da biblioteca na ocupação de tempos livres.
    2. Desenvolver estratégias de promoção e marketing da BE (exposições, colóquios, palestras, sítio e/ou blogue da BE …)

  1. Representar a BE no Conselho Pedagógico.

Todo este enfoque no professor bibliotecário parece-me necessário porque depende do seu perfil e actuação a construção da BE como centro do saber.

No que diz respeito ao Modelo de Avaliação, os resultados obtidos na auto-avaliação deverão ser objecto de análise e de procura de melhoria, a análise dos sucessos e das limitações perspectivam um novo plano de acção com vista a uma melhoria de melhoria.

Maria Helena Ramalho Costa Quadrado

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